Transcrição/tradução/adaptação desse vídeo - mais sobre isso nas notas de rodapé
Alguns tiques dela eu cortei ou adaptei, porque ela fala muito "e é aí que..."/ "e é aqui que..." ou "e de repente.." pra introduzir certas frases ou ideias, e eu acho que não faz muito sentido em português (fora que fica parecendo IA). Além de que ela tá falando de forma oral, então pra escrita eu tentei deixar mais limpo e direto. Esse texto falou muito comigo, e foi ótimo reescrever e repensar ele; apesar disso, tentei deixar ainda o que a autora do vídeo falou, e não o que eu pensei a partir dele.
Abre aspas:
Eu vou começar com The Sims porque me dá o primeiro problema existencial concreto: Um ser pode fazer escolhas sem ter escolhido a arquitetura do seu escolher. Seus traços, temperamento, limites, desejos, capacidades, etc. já estão lá antes dele começar a decidir. Então a primeira questão é: o quão livre é uma escolha, se aquele que escolhe não se escolheu?
Aí vamos pra caverna de Platão. Se o Sim escolhe, ele só escolhe dentre aquilo que ele percebe como disponível. Não tem como uma pessoa passar por uma porta que ela não sabe que existe. Então agência* (capacidade de agir) não é só ter opções na realidade externa, mas também depende dessas opções se tornarem visíveis dentro do modelo de realidade de uma pessoa. Isso torna o aprendizado crucial, porque o aprendizado pode revelar novas portas. Mas eu tenho uma metáfora pra dor, que é chiclete na calçada grudando no seu sapato constantemente, e isso arruina qualquer fantasia de que o aprendizado simplesmente torna a vida mais segura. Porque às vezes eu cresço, aprendo, me comunico melhor, escolho melhor, e ainda piso na porra do chiclete. Às vezes a dor acontece de novo e de novo, às vezes a tragédia não traz nenhuma lição preventiva escondida dentro dela. E agora você vai se perguntar, bom, então o que eu aprendo pra que isso nunca aconteça de novo? E vai descobrir que, às vezes, não tem nada que você possa aprender que garantiria que algo não acontecesse.

